quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Desigualdade e Pobreza Mundial - conjuntura

Um debate sobre o qual pouco se vê na mídia nos últimos tempos é sobre a pobreza e desigualdade no mundo. Depois de iniciativas internacionais quase retóricas como os objetivos do milênio, além de outros programas de erradicação da pobreza, parece mais claro que os poucos e parciais avanços neste tema se devem muito mais ao dinamismo de China e Índia, com políticas intervencionistas em maior ou menor grau, do que em compromissos e programas mundiais.
Uma das últimas polêmicas nesta área foram as revisões de estimativas do Banco Mundial em agosto de 2008 de que a  pobreza extrema, estagnada até então em termos absolutos segundo seus dados anteriores por mais de uma década em 1 bilhão de pessoas, eram, na verdade 1,4 bilhões de seres humanos vivendo com menos de 1 dólar ao dia.
Não bastasse essa "leve revisão" de 40% nas estimativas recentes, os dados não levam em conta apropriadamente as mudanças na última década de variação dos preços relativos de alimentos e combustível.(Alainet, 2008).
Além de marcar a continuidade do desastre humanitário global, a avaliação sobre a evolução da pobreza parece importante para analisar a conjuntura atual, bem como para antecipar-se aos resultados da continuidade neoliberal para a população e poder elaborar estratégias acorde a esse cenários.

Novos indicadores


A fragilidade estatística do indicador limitado mais utilizado no debate oficial internacional teve uma resposta pelo coletivo de ONG's Social Watch com o início de publicação de novo indicador, o Índice de Capacidades Básicas (social watch, 2012). 
Outra iniciativa interessante, ainda mais pelo envolvimento de um economista político da ordem de Anwar Shaik, é o índice de Renda da Vasta Maioria, ou RVM (Shaik, 2008, IPC, 2008).
Neste caso, o indicador procura dar informação melhor que aquela indicada pelo PIB per capita, e mais fácil de compilar que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. Shaik e Ragab comentam que estes índices acabam tendo altíssima correlação, e partem para cruzar dados de PIB com dados de desigualdade de renda para resultar num índice que reflete o redimento relativo per capita de 70-80% da população, definida como de vasta maioria.
Assim, em casos em que aumente a renda per capita mas piore a distribuição de renda, seria possível ter uma melhor noção da evolução do padrão de vida da vasta maioria da população.
Com este indicador, unem-se desigualdade e nível de renda numa abordagem de fácil visualização.Ao mesmo tempo, ao verificar uma proporção estável entre países do RVM de indicadores anteriores desenvolvidos por Sen e adotados pela ONU de descontar o crescimento real por 1-G (índice de Gini), ao elaborar as primeiras estimativas deste índice os autores comentam como ambos, crescimento e redução da desigualdade, apresentam importância equivalente à melhoria do padrão de vida da maior parte da população.


Parece importante combinar estes indicadores e obter um panorama de alguns países que estão no centro de revolta popular para avaliar níveis de conflito, assim como avaliar as perspectivas de atuação frente à forma como provavelmente este cenário deve ter deterioração. Por outro lado, avaliar como evolui a desigualdade - pobreza extrema, relativa, capacidades básicas, vasta maioria da população - pode ajudar bastante àqueles empenhados em melhorar as condições de vida humana, bem como evidenciar os limites em nossa estrutura capitalista mundial.







Referências:
ALAINET, América Latina en MovimientoPoverty is not decreasing as the World Bank claims 
Social Watch, 2012. Basic Capabilities Index
Shaik, A. e Ragab, Amr, The vast Majority Income. IPC UNDP, 2008.

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